Junho 5, 2009
Vacinação visa 15 milhões de idosos
Está sendo realizada neste mês de maio a décima primeira edição da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Influenza (gripe) para pessoas com 60 anos ou mais. A meta é repetir o sucesso alcançado nas ultimas edições da campanha e atingir a marca de 80% da população, algo em torno de 15 milhões de pessoas em todo país.
Em 2007, quando a meta de alcance era de 70% de toda a população classificada como alvo da campanha, o nível de adesão da população brasileira foi superior aos 86%. Tal fato fez com que a partir da campanha passada a meta de abrangência ganhasse dez pontos percentuais. Em 2008 apesar da pequena redução de adesão à campanha a meta foi mais uma vez superada.
Na atual campanha que tem como slogan "Deixe a Gripe na Saudade" a estimativa é que custe mais de R$ 160 milhões aos cofres públicos. Apesar do alto valor gasto, para o ministro da saúde José Gomes Temporão a campanha é vantajosa: "É uma campanha prática, objetiva e econômica importante, na qual a relação custo/benefício é importantíssima. A redução (de custo) é brutal: enquanto uma internação por pneumonia custa ao SUS [Sistema Único de Saúde] entre R$ 1 a 2 mil, uma dose da vacina para nós custa menos de R$ 4” afirmou o ministrou ao site Agência Brasil.
Outra preocupação do Ministério da Saúde é atingir algumas das áreas mais remotas do país. A intenção é vacinar grupos indígenas que não possuem acesso a postos de saúde. Como estratégia o governo adotou chegar até essas áreas mais remotas. Em alguns casos, as vacinas serão levadas até mesmo de barco.
A vacinação contra a Influenza (gripe) é recomendada pela Organização Mundial de Sáude (OMS) e pelo Ministério de Saúde uma vez que ela reduz considerávelmente a taxa de mortalidade por complicações da gripe para pessoas acima de 60 anos. A vacina é único método preventivo em relação à gripe e por isso deve ser tomada anualmente. Uma pesquisa feita pelo Ministério da saúde revelou que as internações em virtude de doenças respiratórias caíram 30% após a disponibilização da vacina.
SP contra a gripe
Na maior cidade do país a preocupação contra a Influenza também é grande. Tanto que a campanha paulistana é anterior à nacional. A primeira edição foi realizada em 1998 e no ano seguinte atingiu nível nacional. A Covisa (Coordenação de Vigilância em Saúde) é responsável pela mobilização e organização de profissionais e equipamentos da rede de saúde com a finalidade de tornar mais fácil o acesso à vacinação.
A meta para a capital paulista também é de 80% da população. Aproximadamente 1 milhão de pessoas em toda a cidade deverão receber a vacina. A ideia da Covisa é superar o numero de 840 mil doses aplicadas na campanha de 2008.
Além das pessoas acima de 60 anos estão entre as pessoas que deverão receber a vacina estão os profissionais de saúde, é o que revela a Dra Maria Ligia, gerente da campanha em São Paulo: "Não são só os idosos que receberão a vacina. Há outros grupos. Entre eles estão pessoas com doenças crônicas, doadores de medula óssea e órgãos sólidos, profissionais de saúde e pessoas que se relacionam com esses grupos íntimamente".
A Dra Maria Ligia que é a responsável pelo setor de Imunização em Vigilância em Saúde também aponta para a forma concreta como a campanha é realizada: "A vacinação é feita gratuitamente em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade das 8 às 17 horas. Alguns grupos levarão a vacina até asilos e os acamados já cadastrados poderão ser atendidos em casa".
Para Ramiro, gerente da unidade UBS da Sé o resultado da campanha é satisfatório: “Aqui no centro a procura das pessoas pela vacina é satisfatória sim. As pessoas já conhecem a campanha.
Entretanto, Ramiro aponta para um possível problema quando perguntado sobre o ponto fraco da campanha: “Sei é que não são todas as regiõe que alcançam o número de pessoas que devem ser atendidas”
Para não sofrer com a possivel falta de adesão à campanha, a prefeitura de São Paulo colocou a disposição das pessoas que procuram a vacina mais de 460 postos espalhados por toda a cidade. Nos dias da campanha as pessoas acima de 60 anos terão prioridade ainda maior nas Unidades Básicas de Saúde. A relação dos postos bem como outras dúvidas podem ser tiradas no telefone 156.
Vacina surte efeito
Ao longo dos anos e dos muitos governos poucas vezes acompanhamos campanhas sobreviverem às trocas de comando. E mais do que isso, poucas vezes vimos funcionando no Brasil medidas capazes de capturar um grande grupo de pessoas. Temos os mais diversos exemplos. Contudo não é assim com a Campanha nacional de Vacinação Contra a Gripe para o idoso. Ela funciona. É rentável.
O principal motivo do sucesso da campanha é que ela atua diferente da cultura do Brasil, do brasileiro. É comum que se resolvam os problemas em suas consequências e não nas causas. Isso demanda mais dinheiro, disperdício e trabalho ineficaz. Entretanto a Campanha de Vacinação é preventiva. Sai mais barato, e muito, vacinar a internar e lidar com as complicações. Estima-se que cada dose de vacina custe 4 R$ enquanto todo o custo de uma internação pode chegar a 2 mil.
A medida que se gasta bem menos com a prevenção é possivel trabalhar em outras áreas, ou seja, levar condição a quem vive precariamente. Sendo assim é possivel levar a vacina a regiões mais afastadas e a grupos sociais sem acesso a saúde pública. É isso que o governo federal tem conseguido com essa campanha. Até mesmo tribos indigenas são atendidas pois se leva a vacina até essas regiões.
O nível de adesão é alto (passa dos 80%) entretanto para conseguir atingir as metas o governo precisa estender os prazos iniciais. Também é verdade que em algumas áreas a porcentagem de adesão muda conforme a instrução social, podendo ficar abaixo do esperado. Mas são exceções à regra.
Num conjunto todo a Campanha de Vacinação Contra a Influenza (gripe) é altamente positiva, sobretudo por ser diferente do que estamos acostumados. Ela é preventiva, resultado de uma visão acertada de que os problemas devem ser vistos antes das causas. Em sua décima primeira realização ela é um exemplo a ser seguido.
João Henrique
CHAREMPS
Comments: